Participante do Massa Crítica de 25 de fevereiro, quando ocorreu a tentativa de homicídio dos ciclistas na rua José do Patrocínio em Porto Alegre, Silvana traz uma reflexão sobre o fato e o veganismo.
Depois de presenciar e sentir na pele o acontecido de sexta passada fui levada a fazer uma analogia não muito clara a alguns. A primeira sensação logo após o ocorrido foi de incredulidade, a segunda foi de revolta e a terceira de desesperança. Sensações semelhantes que já tive várias vezes.
Na verdade, o que aconteceu em Porto Alegre naquela noite acontece a cada segundo, não só no trânsito, não só com seres humanos. Pensamos no quão egoísta foi esse tal cara chamado Ricardo Neis para passar por cima das pessoas apenas por não conter a sua irritação, mas esquecemos o quanto nós também somos egoístas no nosso dia-a-dia.
É bem verdade que estes atos egoístas que praticamos todos os dias estão tão inseridos na nossa cultura, é tão comum fazê-los, que torna mais difícil de nos darmos conta. Mas também é bem verdade que pessoas com as mentes psicóticas, como Ricardo Neis, também acham normal aquilo que nós, seres “normais”, não achamos, e nem por isso serve de justificativa.
Acordamos de manhã e comemos uma torrada com queijo e presunto. Para nós, apenas estamos desfrutando dos prazeres gustativos enquanto acabamos com a nossa necessidade fisiológica de comer*. Para a vaca e o porco, animais tão sencientes, tão capazes de se reconhecerem como indivíduos, de desfrutarem a vida e de sofrerem quanto nós, a nossa face Ricardo Neis é apenas o começo.
Sim, carros são maiores, mais potentes, mais “poderosos” que míseras bicicletas. São também construídos com uma mecânica complexa, muito à frente de singelas bicicletas. Assim, no mundo do trânsito, o rei da selva são os automóveis. Eles são capazes de passar por cima de qualquer um. Pedestres e ciclistas são frágeis e vulneráveis. Se um automóvel tem vontade de passar pela pista, por que consideraria os interesses desses pobres seres que nada poderão fazer para se proteger?
Tornar o trânsito e as cidades mais pacíficas é apenas a ponta do iceberg. Milhões de animais vivem em condições miseráveis e são mortos para satisfazer as nossas vontades a cada dia. A tragédia do atropelamento coletivo ocorre todos os dias, a cada segundo, basta que tiremos a venda e passemos a vê-la.
não sendo necessários à sobrevivência e à saúde humana, continuar se alimentando de ingredientes de origem animal constitui apenas uma preferência gustativa, não uma necessidade.”
Sobre o autor
Silvana Sita
Silvana é graduada em Engenharia Ambiental, ativista pelos Direitos Animais e integrante do GAE POA.