Logo_gae GRUPO PELA ABOLIÇÃO DO ESPECISMO


  • Home
  • O GAE
  • Campanhas
  • Agenda
  • Artigos
  • Notícias
  • Vídeos
  • Livros
  • Abolicionista
  • Contato

ARTIGO

Por que lutar por jaulas vazias?


Maria de Nazareth Agra Hassen

Por maiores que sejam as diferenças entre as espécies, nem a biologia nega uma verdade a alguns ainda chocante: somos todos animais.


Macacos, gatos, carneiros, porcos, lagartixas, ratos: muitas diferenças há entre estas espécies e a humana. Dependendo do critério comparativo que se adote, a superioridade pende para umas em detrimento de outras. Ninguém duvida de que o faro de um cão é superior ao de um sapo, ou que a visão do cavalo é inferior à do lince. Ninguém duvida de que a capacidade de produzir tecnologia de ponta é infinitamente superior nos humanos. Por maiores que sejam as diferenças entre as espécies, nem a bioogia nega uma verdade a alguns ainda chocante: somos todos animais.

Não Queremos Jaulas Maiores, Queremos Jaulas Vazias.

Nos últimos milhares de anos, a história do planeta pode ser contada a partir da escravização das espécies não humanas pelos humanos. Poderíamos dizer também que a história tem se construído pela dominação do forte sobre o indefeso, e isso mesmo internamente à espécie humana, tanto é que o fenômeno da escravidão aconteceu e acontece em diferentes países, refletindo a mesma lógica. Entretanto, a evolução dos aspectos morais fez o homem reconhecer que essa possibilidade natural – a supemacia do forte sobre o fraco – não se sustentava do ponto de vista ético. Pelo contrário, a ética tratou de apontar ao homem a necessidade de proteger os seres mais vulneráveis: idosos, crianças, doentes, dentro do princípio da tutela do fraco. O mesmo ainda não se estendeu à consideração das espécies mais fracas. Se a dominação das espécies mais fracas está justificada pelo princípio do estado de natureza em que o forte domina o fraco, não deveria estar na égide da racionalidade e mralidade humana. Alegar o estado de natureza nos levaria a re-adotar uma série de hábitos e de visões que fomos abandonando pelo uso da razão e da ética. O homem, a despeito disso, segue explorando os animais.
Os defensores dos direitos animais (DDAs) costumam ser abordados e forçados a justificar sua defesa de espécies “inferiores”, quando o opressor é que deveria se justificar. Cabe perguntarmos por que razão ciência, religião e cidadãos pacatos, pobres e ricos, todos se unem em torno de um ponto comum: a exploração animal? Por que ainda se matam animais para comer, havendo alternativas alimentares, saudáveis, ecológicas e econômicas? Por que ainda se caçam animais, havendo tantas formas de lzer e até reproduções da prática de caçar em meios tecnológicos? Por se mantêm animais em gaiolas, quando se pode adornar uma casa com quadros e esculturas e ouvir os cantos em aparelhos de som? Por que cientistas não buscam alternativas ao uso de animais em pesquisas? Quando ciência e religião ficam tão próximas que não sabemos quem é mais fundamentalista, temos aí um grave problema. Nem todo progresso é ético, nem todo progresso eleva. Contra a ética, nenhum progresso se justifica.

O ano de 2008, na contramão da escravização animal, consolida a luta pelos seus direitos, defendendo algo maior do que o bem estar animal, a sua definitiva libertação. Quando Tom Regan escreve o livro Jaulas Vazias, está defendendo a idéia da libertação animal e repudiando o chamado bem-estarismo, pelo qual alguns protetores de animais preconizam melhores tratamentos, aceitando, porém, a idéia da escravidão. Algo como um senhor de escravos generoso. O abolicionismo repudia qualquer forma de esravidão, e alguns teóricos do abolicionismo chegam a atestar que o bem-estarismo consolida e protela a escravidão animal eternamente. Assim, Porto Alegre sediará no próximo dia 13 mais uma edição do Dia Internacional dos Direitos Animais, sob o tema Não Queremos Jaulas Maiores, Queremos Jaulas Vazias.




Sobre o autor

Maria_de_nazareth_agra_hassen
Maria de Nazareth Agra Hassen
Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Mestre em Antropologia Social e Graduada em Filosofia, atualmente é professora no Centro Universitário Ritter dos Reis, onde leciona antropologia e filosofia nos cursos de Direito e Pedagogia. Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura, categoria Ensaio de Humanidades (2000) pelo livro de sua dissertação, O Trabalho e os Dias: ensaio antropológico sobre trabalho, crime e prisão. Coordena a *Coleção Filosofinhos*, tendo escrito os volumes Sócrates, Platão e Descartes (Prêmio Os Correios e o Sul, 2003) e é uma das autoras de *Aqui dentro há um longe imenso*, novela juvenil.

Artigos deste autor
Por que lutar por jaulas vazias?
Em Defesa da Abolição dos Experimentos com Animais
Pelo Progresso da Ciência
UM EXÉRCITO PARA DEFENDER A TERRA:
Gaúchos amam e maltratam animais
Girafas, urubus e outros bichos
Roudinesco e Derrida: se queremos saber "de que amanhã"...
SEDA ou SEBA: os perigos da autonomeação
DIDA 2011 PORTO ALEGRE
Por que não devemos comer o presépio
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Média 5,0 · 15 votos
Tag dida jaulas vazias
Comentar com usuário:


ARTIGOS
Por que não devemos comer o presépio   À data mais sagrada dos cristãos equivale a maior matança de animais por motivo fútil do ano.
DIDA 2011 PORTO ALEGRE   Porque refletir é bom e necessário à causa.
Animais e religião   O resgate de um pobre animal jogado em um despacho na cidade de Rio Grande, originou intensa polêmica e indignação com a crueldade. Foi matéria muito comentada na página on line do jornal agora. Ressalva: foi registrado o termo de ocorrência como crime de maus tratos a animais na polícia civil, que resistência alguma opôs para registrar.
A CONSTITUIÇÃO DO EQUADOR E O DIREITO DOS ANIMAIS EM UM MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO   A Constituição do Equador de 2008, Arts. 71 e 72, reconheceu no dispositivo constitucional direitos intrínsecos à natureza, os chamados derechos de la naturaleza (direitos da natureza). O tema é efervescente na doutrina do direito, especialmente pelo fato de que os derechos de la naturaleza definem a natureza como sujeito de direitos, o que vem sendo amplamente debatido mundialmente no âmbito do Direito dos Animais. A convergência com o pulsante legado de Darwin, o Direito dos Animais e a provocação trazida pela constituição equatoriana sugerem, num primeiro olhar, o inevitável estremecimento estrutural de um direito de base tradicionalmente patrimonialista, em que as relações jurídicas se desenvolveram unicamente entre o ser humano e a propriedade (coisa).
NOTÍCIAS
Não queremos fogos de artifício na passagem de ano   Desperdício de dinheiro público, espetáculo desnecessário e ultrapassado, Porto Alegre tem que conviver com mais esta forma de agressão aos animais.Patrocinada pela Prefeitura que tem uma Secretaria de "Direitos Animais".
EM CAMPANHA PARA SALVAR AS VÍTIMAS DO NATAL   Contraditoriamente, é nesta época que aumenta exponencialmente a matança de animais para as festas de fim de ano. As Caravanas da Colagem estão cobrindo a cidade da campanha Neste Natal, Não Coma o Presépio: Torne-se Vegano.
DIDA 2011 EM PORTO ALEGRE   Dia 10 de dezembro, pedalada e caminhada pelos direitos animais.
DIDA - DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS ANIMAIS 2011 EM PORTO ALEGRE   Dez de dezembro é o Dia Internacional dos Direitos Animais. Saibam aqui por que o DIDA é a data mais importante da causa animal. E mais uma vez o DIDA em Porto Alegre vai ser no pedal, vai ter filme (uma grande estreia) e jantar promovido pela SVB.
AGENDA   ver agenda completa

ABOLICIONISTA
Preencha seu e-mail para receber notícias:

Twitter · Orkut · Facebook · RSS