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NOTÍCIA

Rodeio de Porto Alegre


28 de Março de 2010

Uma das comemorações do aniversário de 238 anos da capital do Rio Grande do Sul foi o Nono Rodeio Nacional (sic) Cidade de Porto Alegre que durou de quinta até hoje, domingo.


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Durante toda a semana, Porto Alegre comemorou seu aniversário. Foram incontáveis eventos na área da cultura, do esporte, e um grande evento na área dos maus tratos a animais não ficou de fora.
Houve corrida, passeio de bicicleta, caminhada, regata.
Porto Alegre teve mais uma edição do seu baile que garante à assustadora noite da Redenção sediar uma festa, possibilita que se cruze pelo seu interior de bicicleta, a pé, com a família, com o chimarrão. Sem medo, sem incidentes. E o melhor, sem foguetes, sem explosões a assustar os animais humanos e não humanos. Parabéns ao prefeito Fogaça que acabou com os fogos que eram uma tradição (sic). Uma redenção. Uma festa cidadã.

Um pouco mais adiante, no outro parque, o da Harmonia, impetravam-se mais e mais abusos contra a dignidade dos animais, humanos e não humanos.

Os humanos foram submetidos a maus tratos em todos os seus sentidos: música alta (uma tal Macarena fazia muito sucesso), competindo com o locutor do espetáculo (que falava numa linguagem cifrada ou estrangeira – desafia-se que alguém consiga compreender mais do que uma sequência de duas palavras), mau cheiro de fumaça de churrasqueiras a cada dez metros, e a visão tampouco é das melhores. Muitas facas na cintura, porcos assados inteiros, ovelhas abertas ao meio, muitas pessoas fora de forma (talvez por andar por muito tempo a cavalo), trajes de gosto muito duvidoso, vestidos longos com babados deixando trilhas no barro que se formava.

Mas o que atrai tantas pessoas a um local em que elas se encontram amontoadas, voltam para casa defumadas, não encontram locais confortáveis para sentar ou aprazíveis para o olhar? O rodeio. Ah, o rodeio! Arquibancadas são montadas e permitem ao seu frequentador, sem custo de ingresso, sentar comodamente no duro e sem encosto, assistir a algo que consiste na corrida desesperada de pequenos bois de olhos muito arregalados, que depois de levarem nada gentis cutucadas de humanos contratados para a nobre função de os tocar em um brete, disparam rumo ao nada, numa ânsia incontrolada de voltar ao seu local de origem. Não encontram o conhecido lar, entram num picadeiro e são perseguidos por um homem montado a cavalo que se julga valente e que tenta laçá-lo. A platéia não tem ocasião de grandes entusiasmos, só se ouvem as conversas, um que outro olha para uma atuação que se repete e se repete e se repete. A maior parte dos valentes não consegue pegar os bois, mas eles ficam ali insistindo e insistindo e insistindo, mesmo que pouca gente preste atenção. É mais, talvez, para dizer “fui ao rodeio no domingo”. Esse fastio todo é uma alternativa ao Faustão. Pena que não seja assim inocente. Pena que seja tão aviltante para os animais, para todos os animais. E pena que ainda não conseguimos descobrir quem paga por tal evento tão cultural. No parque que ironicamente se chama Harmonia.




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