Intervenção urbana do artista Juan Corvalán junto à parada de ônibus no Largo Zumbi dos Palmares na sexta-feira, 12 de novembro, Porto Alegre.
Ok, é uma sexta-feira e vem aí um feriadão. Vocês esperavam o ônibus, cansados, ansiosos por chegar em casa. Não entenderam muito quando a camionete estacionou perto da parada de ônibus e foi montado um equipamento de vídeo e de som. Pensaram que seria bom, porque o tempo de espera seria preenchido com um filme. Vocês não sabiam o que significava Cal Parede até começarem as imagens. Dolorosamente reais. O estômago se revirou, a consciência balançou. Pensaram no que haviam comido no almoço, no lanche da tarde e pensaram nas fotos que tiraram junto às vacas “felizes” pintadas por artistas. Pensaram em desviar o olhar, mas o som não deixava esquecer. Melhor ver tudo, melhor saber. Melhor falar com as pessoas que trouxeram o filme, perguntar alguma coisa. Melhor sair logo dali, embarcar no primeiro ônibus e esquecer. Só que já não é mais possível. A conexão foi feita, o leite perdeu a inocência, a carne deixou de ter sabor e as vaquinhas da cow parade não os enganam mais.